Nascido em 13 de agosto de 1926, revolucionário segue como um dos políticos mais influentes do século 20 ao transformar Cuba numa potência em áreas como saúde, esporte e educação
publicado 13/08/2026 às 11:40
Por Henrique Nunes
Foto: Wikimedia
Em 15 de abril de 1959, um homem de 1,91m de altura, barba avolumada e uniforme militar verde-oliva come cachorro-quente enquanto assiste a uma partida de baseball no Yankee Stadium em Nova Iorque. As fotos direcionadas a ele aumentam as suspeitas do público de que não se tratava de um torcedor comum.
Quando ele entra em campo e empunha um taco para simular uma jogada, a notícia tomou conta do estádio: aquele homem, que quatro meses antes havia liderado uma revolução, era ninguém menos do que Fidel Castro.
O líder cubano, que neste 13 de agosto completaria 100 anos, foi ao país vizinho naquela data a convite da Sociedade dos Editores de Jornais estadunidense. O presidente Dwight D. Eisenhower, primeiro, o ignorou. Seu vice, Richard Nixon, o chamou de ingênuo. Mas nos bastidores, o plano era matar Fidel Castro e eliminar qualquer inspiração de novas rebeliões no continente.
Dois anos depois daquela visita, Fidel já estava no topo da lista de ameaças da CIA, a agência de inteligência dos EUA. Em números oficiais, houve 638 tentativas diferentes de matar Fidel Castro (a informação está no Guinness Book), de charutos explosivos, canetas envenenadas e até um pó químico misturado a um creme de barbear – ainda que a barba tenha sido mantida durante os seus 90 anos de vida.
A explicação para tamanha obsessão da Casa Branca por ele acontecia a menos de 150 quilômetros de distância, na ilha onde Castro, ao lado de Ernesto Che Guevara e outros 4 mil guerrilheiros, derrubaram a ditadura de Fulgêncio Batista, cujo governo foi financiado e apoiado pelos EUA durante quase uma década.
Tão logo assumiu o controle do país como primeiro-ministro, Castro reduziu tarifas de serviços básicos, aumentou salários, aplicou a Lei de Reforma Agrária, desapropriou grandes latifúndios e, principalmente, iniciou a nacionalização de empresas estrangeiras e locais, alinhando-se gradualmente à União Soviética.
A escolha pelo lado vermelho, em plena Guerra Fria, fez com que as primeiras sanções econômicas de Washington ao país fossem aplicadas, em outubro de 1960, por decreto do então presidente americano John F. Kennedy.
A aliança com o governo soviético e as boas relações com países do Leste Europeu e da América do Sul permitiram que as políticas inovadoras de Castro transformassem Cuba numa potência em diversos setores. Durante as décadas seguintes, o país de pouco mais de 10 milhões de habitantes se transformou em vitrine social global ao zerar o analfabetismo e consolidar uma taxa de mortalidade infantil inferior à de países como o próprio Estados Unidos.
Cuba fez da Saúde seu principal motor de influência diplomática ao coordenar, entre 1961 e 2020, mais de 600 mil missões médicas humanitárias em 158 países, estendendo sua assistência a cerca de 2 bilhões de consultas no exterior. A participação de Cuba no programa Mais Médicos, por exemplo, mobilizou 20 mil profissionais apenas entre 2013 e 2018, levando atendimento às áreas e regiões mais remotas do país.
Aos que se mantinham céticos sobre as políticas implementadas por Fidel Castro, as participações de Cuba em Jogos Olímpicos tratavam logo de espantar qualquer desconfiança. Com desempenhos históricos, como o quarto lugar em Moscou (1980) e o quinto lugar em Barcelona (1992), a ilha mostrou ao mundo que um Estado forte pode ser sinônimo de transformação e resiliência.
A situação começou a mudar quando, em dezembro de 1991, o Granma, principal jornal de Cuba, anunciou em sua manchete de capa a queda da União Soviética. Embora tentasse evitar o tom catastrófico, os desdobramentos seguintes mostraram o tamanho do sadismo e violência que os embargos econômicos dos Estados Unidos poderiam causar.
Logo após a queda, Fidel Castro decretou o chamado “Período Especial”, uma política de austeridade extrema e racionamento para evitar uma crise ainda maior no país. Tomou medidas como abrir a economia parcialmente para o turismo e investimentos estrangeiros, permitir o uso do dólar e buscar novos aliados geopolíticos como a Venezuela de Hugo Chávez no início dos anos 2000.
Fidel deixou o poder em 2008, para dar lugar ao seu irmão Raul Castro, e se tornar uma espécie de conselheiro informal do governo até 2016, quando faleceu de causas naturais aos 90 anos.
Hoje, no dia em que completaria 100 anos, Cuba recebe representantes de mais de 60 países para prestar homenagem ao eterno comandante. Para enfrentar a pior crise de sua história, sob os ataques criminosos de Donald Trump, o atual presidente Miguel Díaz-Canel disse que não há outro caminho senão “voltar a Fidel, ao seu legado, às suas ideias e de sua práxis revolucionaria".

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